A principal atração do Zoe Cultural vai tocar neste sábado, 3 de julho. A banda paulista Zumbis do Espaço tem conquistado uma legião de fãs em todo o Brasil durante quase 15 anos de carreira por sua mistura de música country e punk rock com temática de horror como provam as letras. São seis álbuns de estúdio lançados, dois ao vivo e um dvd com a gravação de um show que dá uma mostra do que é o Zumbis ao vivo. A formação atual conta com Tor nos vocais, Gargoyle no baixo, Machado na guitarra e Zumbilly nas baquetas.
Assim como muitos que estão ansiosos pelo festival, sou fã confesso da banda, e me propus a fazer esta entrevista com o Tor para aumentar a ansiedade dos outros fãs e apresentar o Zumbis do Espaço para quem infelizmente ainda não conhecia. Até agora...
Matarte: Explique como foi a origem da banda e a idéia de misturar temáticas de quadrinhos, literatura e filmes de terror com som punk e country?
Tor: A banda começou em 95/96, e na época todos nós estávamos bem envolvidos com esse tipo de música e todo esse movimento de filmes de terror, quadrinhos e rock sujo, e como nunca gostamos de bandas panfletárias e politicamente corretas, que era a tendência no começo dos 90, resolvemos fazer as coisas ao nosso modo.
Matarte: Vocês já sofreram algum tipo de intolerância por causa da proposta de horror e letras que falam de morte e demônios?
Tor: Não, mesmo porque eu não gosto de bandas e desse discurso de perdedor, tão comum no rock independente e no underground de se vitimizar e achar que tudo é difícil. Na verdade, a única coisa difícil é fazer musica boa e se manter na estrada. Para o resto eu estou me cagando...
Matarte: O Zumbis é uma banda que já viveu muita coisa dentro do cenário underground punk/hardcore. Hoje em dia a gente percebe a mídia especializada dando cada vez mais atenção ao cenário independente, e muitas bandas já reconhecem que podem ser bem sucedidas dentro deste contexto. No seu ponto de vista, o que mudou da virada dos anos 2000 pra cá?
Tor: As passagens aéreas estão mais baratas e existem menos bandas boas hoje em dia, mas temos algumas casas e produtores confiáveis pelo país, mas eu acho que só ficaram bandas que realmente tenham alguma coisa pra mostrar.
Matarte: A Thirteen Records já lançou Crazy Legs, Forgotten Boys, Rock Rocket, entre outras bandas além do próprio Zumbis. Percebi que nos últimos anos o selo tem se focado em lançar somente o Zumbis. O que aconteceu e como estão os projetos do seu selo?
Tor: O download ilegal inviabiliza qualquer tipo de novos lançamentos. A internet, ao contrário do que muitas pessoas acham, está acabando com a musica. Se uma banda dá sua musica de graça, ela ou é estúpida ou não se acha boa o necessário pra que alguém compre sua musica.
Matarte: Comente sobre os álbuns do Zumbis, o material que estará disponível para compra no show, e quais são os próximos lançamentos..
Tor: No momento, estamos relançando todos nossos álbuns em versões digipack com bônus e liner notes e em vinil limitado. Acreditamos que a musica é mais que um arquivo sem qualidade. Os primeiros CDs relançados foram o Aqui Começa o Inferno e o Horror Rock Deluxe, e o vinil do novo álbum Destructus Maximus. No segundo semestre, será relançado o digipack do Aberrações que Somos, e o vinil do Abominável Mundo Monstro. Pretendemos continuar levando a Destructour ao máximo de lugares possíveis e então preparar seu sucessor, que com certeza será mais destruidor.
Matarte: Fiz essa pergunta pro Mozine e agora repito pra você: já são quase 15 anos de banda, e com o valor do cachê muito acessível. O que faz vocês terem motivação para continuarem se dedicando ao Zumbis do Espaço após tantos anos de atividade?
Tor: Gostar do que faz e, principalmente, fazer direito.
Matarte: Existe alguma proposta ou idéia do Zumbis em lançar uma revista em quadrinhos como fez o Matanza, ou até mesmo em realizar alguma produção audiovisual (além dos clipes, claro) na qual sejam exploradas as referências da banda?
Tor: Nós já lançamos uma revista muito antes do Matanza, em 1996, e se chamava Demonozine. Pensamos sim em relançá-la e lançar novos números; devemos retomar a esses projetos em breve.
Matarte: Como é a sensação de ser vocalista de uma banda com fãs tão fieis que chegam ao ponto de tatuar a banda na pele?
Tor: É ótimo! Admiro e respeito nossos fãs e me sinto abençoado por na minha idade ainda estar fazendo o que eu escolhi pra minha vida. Matarte: Aqui em Palmas muita gente já conhece o talento do Renato Machado com o Lockfist 669 em suas duas vindas, mas percebi que na comunidade da banda alguns fãs ficaram desconfiados de que o Zumbis fosse ficar mais metal. Afinal, mesmo sem ter participado da última gravação, o que mudou na banda com a entrada dele na guitarra?
Tor: A entrada do Machado melhorou tudo na banda, tanto musicalmente quanto pessoalmente. Estamos na nossa melhor fase da carreira, tocando melhor do que nunca.
Matarte: Ano passado eu mesmo tentei trazer vocês pra Palmas, esse ano o Porkão tentou, e agora finalmente o Festival Zoe vai conseguir realizar o desejo de muitos tocantinenses. Como o Zumbis do Espaço ta se preparando para compensar esse atraso por aqui?
Tor: Estamos ansiosos para tocar em sua cidade e tomar uma cerveja com vocês. Tocaremos todos nossos os clássicos e músicas do Destructus. Vocês vão ver o Zumbis do Espaço na melhor fase da carreira.
Acesse:
www.myspace.com/zumbis777
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=116906
Anote na agenda: Zumbis do Espaço, neste sábado, 3 de julho, no Tendencies Music Bar.