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Fotos: Bento
Coletivo Os Cabrones
Há muito tempo, quer dizer, em todo o tempo, nós, artistas, vimos e vemo-nos amargar atrasos nos mais variados sentidos. Aqui no Tocantins o cenário é bem mais crítico. Ser artista no Brasil é e sempre foi complicado. Em nosso estado tal situação pode ser somada e multiplicada por dois. Em todos os segmentos, em todas as vertentes, parece ser imperativo de que, por estas bandas, cada um deve ficar na sua, no seu quadrado, cuidando da sua vidinha, do seu trabalho, dos seus projetos e que o resto... todo o resto que se vire e dê seu jeito, ora bolas.
Mas a prática vem mostrando que esse modelo de “cada um na sua” não tem dado muito certo. A maioria dos projetos nem sequer chega a sair do papel, e quando sai, boa parte deles sofre de limitações técnicas, que, num contexto de cooperativismo (em que temos pessoas contribuindo com as suas potencialidades e saberes para o desenvolvimento de determinada coisa) muito certamente, esses problemas se existissem, seriam numa escala bem reduzida.
“Foi numa viagem a São Paulo, em dezembro de 2011, que percebi o quanto poderíamos agir diferente no Tocantins (Com a criação do coletivo Os Cabrones, para unir desenhistas, ilustradores, cartunistas e quadrinistas residentes não só em Palmas, mas no Tocantins de um modo geral). Num determinado evento, conheci artistas e coletivos. O argumento deles foi unânime: lá, as dificuldades eram até maiores, pelo volume de artistas e competitividade do mercado, mas a diferença estava no fato de que eles se uniam para batalhar por direitos comuns”, pontuou Thiago Ramos, jornalista, cartunista e um dos fundadores do coletivo “Os Cabrones”.
“Essa ideia de se juntar por aqui já vinha sendo nutrida em separado. A partir da 1° Exposição de Quadrinhos e Ilustrações de Palmas, no início de 2013, que foi coletiva, é que finalmente decidimos começar um grupo de trabalho, dividindo funções e estabelecendo metas. A primeira deliberação foi a criação de um fanzine coletivo, e a partir dele, que funcionaria como portifólio e espaço de experiência, onde também adquiríamos ritmo de trabalho, iríamos ganhar solidez para encabeçar outros projetos solo”, disse Daniel dos Santos, jornalista e membro do grupo.
Foto: Bento
O fanzine Nonada
O produto coletivo em questão chama-se “Nonada”. Este zine sairá, a princípio, de forma independente, com seus exemplares obtidos por meio de fotocópias. Produzido de maneira artesanal, com contribuições dos membros do coletivo e de quem mais se interessar. No formato de folhas A4 dobradas ao meio, terá uma periodicidade mensal e será comercializado a preço simbólico, em pontos diversos de Palmas e eventos também pelo interior, a medida que as cópias dos exemplares sejam suficientes.
A primeira edição - número zero - tem tiragem inicial de apenas 200 exemplares e tem poemas, quadrinhos e ilustrações dos colaboradores Adriano Carvalho, Ciro Gonçalves, Daniel dos Santos, Diogo Teixeira, Flamarion Cunha, Geuvar Oliveira, Marcus Mesquita, Paulo Roberto e Thiago Ramos. O lançamento será nesta quarta-feira, 27, no Açaí.com localizado na Av. LO 05, 306 Sul (antiga Arse 32) em Palmas. O fanzine será vendido no local por R$ 3, e as pessoas também podem fazer contato através da página do coletivo no facebook.
Capa: Flamarion Cunha
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Quem nunca leu no banheiro não sabe o que é o prazer da leitura.
Desde pequeno leio alguma coisa quando vou besuntar a porcelana. ”Mãããe, traz uma ‘bibitinha da Mônquina’” e lá ia folhear uma revistinha inteira sem nem ao menos saber fazer um “o” com um copo. “Mãe, acabei!”, isso valia para as duas obras. Tava “tchau” para o coco e ia continuar a brincar.
Minhas lembranças e contos de infância se misturam com as do meu irmão mais velho. Porém coloco aqui como sendo todas minhas por mera conveniência estética.
Com o passar dos anos detectei um padrão para esse tipo de literatura. Uma boa literatura de banheiro é aquela que dispõe uma leitura rápida, concisa e profunda, daquelas que bate no fundo e respinga na bunda. Tal qual haicais de porta de banheiro público, um exemplar de literatura de banheiro tem que te fazer passar o tempo de alguma forma leve.
A necessidade de dormir e a necessidade de fazer necessidades se unem no prazer da leitura. Assim como o famigerado livro de cabeceira, o objeto da literatura de banheiro é aquela obra que te acompanha na sua privacidade e aos poucos vai se tornando um clássico (CALVINO, 2004).
Eis alguns dos meus clássicos:
O Livro da Filosofia: as grandes idéias de todos os tempos
Anna Hall, Sam Atkinson, Cecile Landau, Andrew Szudek, Sarah Tomley - 352 páginas - Editora Globo.
Breve panorama da obra de grandes filósofos antigos e contemporâneos com esquemas explicando suas principais idéias e influências. Tudo isso com uma diagramação inteligente e criativa e ilustrações precisas.
Veja também: O Livro da Psicologia.
As Cobras: antologia definitiva
Luis Fernando Veríssimo - 200 páginas – Objetiva.
As cobras dão pitaco sobre tudo: futebol, política e religião. Humor pastelão, consciente e filosófico de Luís Fernando Veríssimo nesse formato pouco conhecido do escritor (e cartunista).
Veja também: A cabeça é a ilha.
O Livro Vermelho dos Pensamentos de Millôr Fernandes
Millôr Fernandes - 195 páginas - L&PM POCKET.
A capa logo alerta “Documento que revolucionou todo o pensamento ocidental! Um verdadeiro orgasmo filosófico”. De aforismos a conversas no Bar do Veloso, estão editadas diversos pensamentos desse que foi um dos maiores livre-pensadores brasileiros.
Veja também: Millôr Definitivo: a bíblia do kaos.
Dicionário de Sentenças Gregas e Latinas
Renzo Tosi - 904 páginas - Martins Fontes.
“10.000 citações da Antiguidade ao Renascimento no original e traduzidas com comentário histórico, literário e filológico”. Se você quer mais informações que essa para ter interesse no livro, você é indignus est qui illi calceos detrahat.
Veja também: Dicionário Houaiss Ilustrado: Música Popular Brasileira.
Rubem Alves - 280 páginas - Planeta do Brasil.
O autor adverte que aforismos, bem como as idéias são como pássaros que pousam sem de repente no seu ombro. É preciso logo tomar nota antes que voem e nunca mais apareçam. Rubem Alves fez isso e podemos conferir belos passarinhos que ele nos pinta com seus textos.
Veja também: Educação dos Sentidos e Mais...
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Certa vez perguntaram ao Chico Caruso, ou foi para o irmão dele(?), são gêmeos, sendo grande nome do desenho nacional, quando foi que começou a desenhar. Típica pergunta boba de repórter, daquelas que fazem do entrevistado mera peça do manual de reportagem. Porém o Caruso deu uma bela resposta. Algo do tipo: “Na verdade eu sempre desenhei. A única diferença é que eu nunca parei de desenhar”. E fez disso sua profissão.
De 28 de janeiro a 3 de fevereiro acontece a primeira Exposição de Quadrinhos e Ilustrações de Palmas na rampa de acesso do Palmas Shopping. A exposição conta com mais de 35 obras, variando entre quadrinhos e ilustrações de artistas e amadores da região. Estão entre eles: Adriano Carvalho, Amanda Cristine, Cleiber Vieira, Geuvar Oliveira, Marcus Vinícius, Paulo Roberto, Thiago Ramos, Vanessa Mesquita, Weliton Silva e, por último, mas muito mais importante que os demais, Ciro Gonçalves, esse que vos escreve e encanta a todos com o seu trabalho e beleza.
A exposição coletiva é fruto do contato entre desenhistas e ilustradores através de um grupo no Facebook, e é ponto de partida para uma série de ações previstas para 2013 a fim de divulgar os trabalhos criativos destes artistas.
Hoje, 30, Dia do Quadrinho Nacional, acontece, no segundo piso do shopping, próximo a livraria, como parte da programação do evento, um bate-papo. De acordo com o quadrinista Geuvar Oliveira o objetivo desse encontro, além de comemorar a produção de quadrinhos do nosso país, está em integrar os próprios artistas e claro o público que aprecia esse tipo de manifestação artística.
Venham conhecer um pouco do trabalho e os próprios artistas. Uma boa oportunidade de ter contato com aqueles que nunca pararam de desenhar.
2010 Matarte. Permitida a reprodução desde que citada a fonte.