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23 de abril de 2010
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11 de abril de 2010
Matarte no Salão #5: O “descobrimento” do Miniconto
Muita gente já cansou desse papo de Salão do Livro, mas dentro do que eu pude presenciar, seria injusto encerrar a série Matarte no Salão sem publicar algo para compartilhar com vocês sobre aquela que foi a grande novidade desta edição pra mim: o formato literário de minicontos.
No mesmo dia e horário em que muita gente se candidatou a uma vaga no auditório central para ver a palestra de Ariano Suassuna, eu me programei antecipadamente para assistir no espaço jovem a palestra do gaúcho Marcelo Spalding sobre Literatura Digital, que principalmente pelo tesão que tenho de escrever para este blog, passou a ser um tema de grande interesse da minha parte. Afinal não quero escrever sobre as notícias do último minuto aqui. Quero apenas aprender cada vez mais a escrever textos que possam ser lidos hoje ou daqui a uma semana, um mês, um ano, que ainda serão interessantes.
Com 20 anos de idade, eu era um dos mais velhos dentro do local. Isso me surpreendeu, mas acostumado a escrever para o público juvenil, Marcelo Spalding prontamente direcionou o discurso da palestra para a geração que lê no máximo, Crepúsculo. Apesar de ter de filtrar boa parte do conteúdo da palestra, ele ainda conseguiu prender a atenção interagindo diretamente com a plateia. Até que da metade pro final, não teve jeito, nem que soltassem uns 30 Nardoni teria como impedir a molecada que GRITAVA e corria para todos os lados.
Com muito esforço, fiquei até o fim da palestra, e fui conversar com o escritor na tentativa de absorver um pouco mais do conteúdo que ele mesmo admitiu que não pôde passar nem metade do que estava previsto. Em uma breve conversa, ele me deu o seu livro de minicontos. Basicamente, este foi um momento fundamental daqueles em que as luzes são direcionadas para quem está recebendo um prêmio em cima do palco diante de muitas pessoas, ou até mesmo quando brilham os olhos de alguém que assiste televisão pela primeira vez após vários anos de vida. Assim me senti ao ser apresentado ao formato.
A experiência de ler minicontos é vital para quem quer manter o hábito da leitura, mas não consegue se concentrar em longos textos por conta da vida corrida entre trabalho, estudos, namoro e excesso de informações pela internet. Esse estilo de contar alguma história ainda é pouco discutido, todavia ele tem algumas pré-definições que podem ajudar a identificá-lo: são textos curtos que embora não seja regra, geralmente variam de uma frase até no máximo 100 palavras; possui narrativa com começo, meio e fim assim como um conto qualquer, no entanto costumam ser textos riquíssimos nas entrelinhas, que o levam a ser chamados também de poema em prosa ao conduzir e provocar reflexões no leitor pela subjetividade, fazendo com que o texto deixe de ser “mini” na cabeça do leitor.
Ainda que possua uma estética moderna e ideal para os dias atuais, os minicontos não são tão recentes quanto se pensa, e já consagrou o escritor hondurenho Augusto Monterroso nos anos 60 como o principal escritor do estilo, e tem Ernest Hemingway como o autor de um dos minicontos mais famosos: “Vende-se: sapatos de bebê, sem uso”. No Brasil, Dalton Trevisan é considerado o pioneiro do estilo com o livro “Ah, é?”, publicado em 1994. Em 2004 foi lançado o livro “Os cem menores contos do século”, contendo textos breves escritos por 100 autores como Moacir Sclyar, Millôr Fernandes e o mesmo Dalton Trevisan, convidados especialmente para a publicação.
Se tivesse de indicar a leitura de minicontos para públicos específicos, recomendaria para quem gosta de poesia, ou de histórias bem contadas, ou de ler no ônibus, ou de ler pouco, ou de ler tirinhas, ou de twitter, ou até mesmo de mensagens publicitárias. Esqueci de alguém?
Para começar (e encerrar este texto), recomendo Marcelo Spalding, que recomenda Leonardo Brasiliense e Ana Mello.
“Helena é virgem desde que o pai sumiu de casa.”
“O atendente da farmácia viu que eu entrei meio sem graça. Sorriu, malicioso. Eram dez da noite, e eu não tinha cara de doente. Ele até olhou para a porta, como procurando mais alguém. Quando cheguei perto da gôndola das camisinhas, o bobalhão desviou o olhar de mim, disfarçando muito mal. Fingiu que arrumava uns folders em cima do balcão, mas sempre com o sorrisinho idiota, que só parou, só se fechou quando pus na frente o pacote de fraldas.”
“Suicidou-se. Não quis esperar um fim que já era certo desde que nasceu.”
Marcelo Spalding é um jovem escritor de apenas 27 anos, mas que recebeu seu primeiro prêmio com 11 anos de idade através do concurso Jornalista Por Um Dia, do jornal Zero Hora. Jornalista diplomado em 2005, é autor de 5 livros nas categorias juvenil e adulto. Atualmente é vice-presidente da Associação Gaúcha de Escritores.
Trechos do conteúdo deste texto foi garimpado da dissertação de mestrado de Spalding disponível aqui.
No mesmo dia e horário em que muita gente se candidatou a uma vaga no auditório central para ver a palestra de Ariano Suassuna, eu me programei antecipadamente para assistir no espaço jovem a palestra do gaúcho Marcelo Spalding sobre Literatura Digital, que principalmente pelo tesão que tenho de escrever para este blog, passou a ser um tema de grande interesse da minha parte. Afinal não quero escrever sobre as notícias do último minuto aqui. Quero apenas aprender cada vez mais a escrever textos que possam ser lidos hoje ou daqui a uma semana, um mês, um ano, que ainda serão interessantes.
Com 20 anos de idade, eu era um dos mais velhos dentro do local. Isso me surpreendeu, mas acostumado a escrever para o público juvenil, Marcelo Spalding prontamente direcionou o discurso da palestra para a geração que lê no máximo, Crepúsculo. Apesar de ter de filtrar boa parte do conteúdo da palestra, ele ainda conseguiu prender a atenção interagindo diretamente com a plateia. Até que da metade pro final, não teve jeito, nem que soltassem uns 30 Nardoni teria como impedir a molecada que GRITAVA e corria para todos os lados.
Com muito esforço, fiquei até o fim da palestra, e fui conversar com o escritor na tentativa de absorver um pouco mais do conteúdo que ele mesmo admitiu que não pôde passar nem metade do que estava previsto. Em uma breve conversa, ele me deu o seu livro de minicontos. Basicamente, este foi um momento fundamental daqueles em que as luzes são direcionadas para quem está recebendo um prêmio em cima do palco diante de muitas pessoas, ou até mesmo quando brilham os olhos de alguém que assiste televisão pela primeira vez após vários anos de vida. Assim me senti ao ser apresentado ao formato.
A experiência de ler minicontos é vital para quem quer manter o hábito da leitura, mas não consegue se concentrar em longos textos por conta da vida corrida entre trabalho, estudos, namoro e excesso de informações pela internet. Esse estilo de contar alguma história ainda é pouco discutido, todavia ele tem algumas pré-definições que podem ajudar a identificá-lo: são textos curtos que embora não seja regra, geralmente variam de uma frase até no máximo 100 palavras; possui narrativa com começo, meio e fim assim como um conto qualquer, no entanto costumam ser textos riquíssimos nas entrelinhas, que o levam a ser chamados também de poema em prosa ao conduzir e provocar reflexões no leitor pela subjetividade, fazendo com que o texto deixe de ser “mini” na cabeça do leitor.
Ainda que possua uma estética moderna e ideal para os dias atuais, os minicontos não são tão recentes quanto se pensa, e já consagrou o escritor hondurenho Augusto Monterroso nos anos 60 como o principal escritor do estilo, e tem Ernest Hemingway como o autor de um dos minicontos mais famosos: “Vende-se: sapatos de bebê, sem uso”. No Brasil, Dalton Trevisan é considerado o pioneiro do estilo com o livro “Ah, é?”, publicado em 1994. Em 2004 foi lançado o livro “Os cem menores contos do século”, contendo textos breves escritos por 100 autores como Moacir Sclyar, Millôr Fernandes e o mesmo Dalton Trevisan, convidados especialmente para a publicação.
Se tivesse de indicar a leitura de minicontos para públicos específicos, recomendaria para quem gosta de poesia, ou de histórias bem contadas, ou de ler no ônibus, ou de ler pouco, ou de ler tirinhas, ou de twitter, ou até mesmo de mensagens publicitárias. Esqueci de alguém?
Para começar (e encerrar este texto), recomendo Marcelo Spalding, que recomenda Leonardo Brasiliense e Ana Mello.
“Helena é virgem desde que o pai sumiu de casa.”
Marcelo Spalding
“O atendente da farmácia viu que eu entrei meio sem graça. Sorriu, malicioso. Eram dez da noite, e eu não tinha cara de doente. Ele até olhou para a porta, como procurando mais alguém. Quando cheguei perto da gôndola das camisinhas, o bobalhão desviou o olhar de mim, disfarçando muito mal. Fingiu que arrumava uns folders em cima do balcão, mas sempre com o sorrisinho idiota, que só parou, só se fechou quando pus na frente o pacote de fraldas.”
Leonardo Brasiliense
“Suicidou-se. Não quis esperar um fim que já era certo desde que nasceu.”
Ana Mello
Marcelo Spalding é um jovem escritor de apenas 27 anos, mas que recebeu seu primeiro prêmio com 11 anos de idade através do concurso Jornalista Por Um Dia, do jornal Zero Hora. Jornalista diplomado em 2005, é autor de 5 livros nas categorias juvenil e adulto. Atualmente é vice-presidente da Associação Gaúcha de Escritores.
Trechos do conteúdo deste texto foi garimpado da dissertação de mestrado de Spalding disponível aqui.
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2 de abril de 2010
Matarte no Salão #4 e 1/2: Sim, você pode entrevistar o Tadeu Schmidt!
A palestra do Tadeu Schmidt era a mais aguardada por mim desde que fiquei sabendo das primeiras atrações divulgadas do 6° Salão do Livro do Tocantins. Os motivos são óbvios já que sou fã de esportes e humor, e curso jornalismo.
Porém a palestra estava prevista para 16h30 em plena segunda-feira, horário do meu estágio. Então tive de me inspirar no tema da palestra, “Sim, você pode!”, e pela manhã faltei a minha aula favorita neste semestre, jornalismo online (perdoa aí Liana, vai?), e fui ao estágio para ficar com a tarde livre. Sacrifício é assim mesmo.
A minha missão na palestra era repetir o feito de 2008, quando entrevistei junto de alguns colegas de curso, o outro apresentador do Fantástico, Zeca Camargo, no hotel, longe de toda aquela movimentação daquilo que andaram chamando de “circo do livro”. Agora, eu tinha o instrumento facilitador chamado credencial, portanto foi só a palestra se aproximar do fim que eu já fui correndo para a área reservada onde eu poderia abordar o Tadeu Schmidt.
Como esperei no pé da escada para o palco, fui o primeiro a abordá-lo e já propus uma conversa mais tarde no hotel quando ele estivesse descansado, porque queria um bate-papo solto sobre alguns temas e com a participação dos parceiros de blog. Achei que estava garantido, mas fui surpreendido pela justificativa dele de não estar autorizado pela Cegecom (Globo) para esse tipo de conversa, no máximo umas três perguntas ali mesmo e pronto.
Meu planejamento foi pras cucuias. Mesmo assim, assisti toda a tietagem das repórteres dos veículos tidos como mais sérios, e esperei meu momento novamente para insistir na proposta apelando para a comoção por ser um estudante de comunicação, como ele também já foi um dia. Deu certo em partes: não rolou de deixar para mais tarde no hotel porque ele disse que não podia realmente, mas consegui deixar acertada uma rápida conversa para o momento em que ele seguisse para a sala vip.
Após observar a distribuição de uns 20 minutos de autógrafos e fotografias com sorrisos plastificados, ainda teve um momento bacana quando uma menina cega entrou dizendo que o Tadeu era muito bonito e foi retribuída com um abraço sincero. Pouco depois, a fila para autógrafos não cessava, e ele viu a conversa comigo como uma válvula de escape para aquela situação. Bom pra mim, bom pra ele.
A Izabela Martins (Bel) precisava de fazer algumas perguntas a ele para publicar uma matéria em O Jornal. Deixei ela na frente, mas gravei a entrevista dela também. Chegada a minha vez, a minha namorada, Paula, entrou em ação como fotógrafa enquanto eu fazia as perguntas de acordo com os meus interesses sem nenhuma sugestão de perguntas anotadas previamente. O resultado segue abaixo na transcrição da entrevista:

Matarte - Na verdade, o que eu tinha proposto para você era fazer uma conversa mesmo, no hotel, quando você já estivesse descansado, mas enfim... Quero saber sobre qual é a referência do humor na sua vida. Se é uma coisa que veio de casa ou se você buscou isso nos quadrinhos, em cartuns.
Tadeu - Eu lia gibi quando era moleque, lia X-Men, Homem Aranha...
Matarte - Tem algum favorito entre DC e Marvel?
Tadeu - Se eu tivesse que dizer um, diria X-Men! Eu lia Turma da Mônica também. Gostava e achava engraçado pra caramba. Sobre a questão do humor, lá em casa todo mundo sempre foi bobo. Eu achei que quando virasse adulto, iria ficar sério. Aí eu vi meu irmão, que é 16 anos mais velho que eu e é um bobão, crianção tanto quanto eu quando era pequeno, quanto continuo sendo. Nós somos muito bobos. A gente gosta de dar risadas. Quando a gente se junta pra conversar é falando bobagem do começo ao fim, dando risadas, fazendo piada, um zoando da cara do outro. Então, isso é característica nossa mesmo. A gente gosta muito de dar risadas, gosta de se divertir. Na verdade, o que eu faço na televisão não é piada, não é uma coisa de um comediante que tá tentando arrancar a risada de uma pessoa. É uma coisa de amigos que estão vendo uma coisa e um tá comentando com o outro. É mais ou menos isso. Comentando com bom humor. É coloquial e com bom humor.
Matarte - Recentemente o Glauco morreu... quero saber se você acompanhava algum destes cartunistas que tiveram importância na época da ditadura.
Tadeu - Ah, tinha o Casseta Popular, Planeta Diário, Pasquim.. O Brasil tem tantos nomes brilhantes nessa área. Lembro que quando eu era moleque, eu lia livros do Ziraldo. Maravilhoso! O traço do Ziraldo é tão espetacular! É uma coisa tão bacana. Eu acho muito legal você contar uma história ali, de repente, numa tirinha tão pequena, fazer começo, meio e fim naquele espaço. É tão interessante. É uma coisa que eu gostaria de fazer, mas eu não tenho o menor talento para desenhar. Mas o desafio de contar aquela história interessante num espaço tão pequenininho eu acho muito interessante.
Matarte - Eu também não sei desenhar, mas na semana passada, eu tive a idéia de uma tirinha com o roteiro direitinho. Aí eu fiz um rascunho, fiz as falas e passei para um amigo meu que sabe desenhar. Ele transformou numa tirinha e a gente postou no nosso blog.
Tadeu - Show de bola!
Matarte - Outra coisa que eu queria saber... Poxa, agora...
Tadeu - Esqueceu!
Matarte - É...
Tadeu - Acontece comigo sempre.
Matarte - Vamos falar sobre outra coisa... quero saber sobre música. O que você gosta de ouvir?
Tadeu - Eu gosto de tudo cara. Não tenho essa de “ah, gosto de tal música ou de tal música...” Eu ouço da música clássica ao pagode. Adoro, por exemplo, samba. Adoro! Se eu tivesse que escolher um estilo preferido, escolheria o rock and roll. Mas escuto de tudo. Adoro música. Toco violão. Gosto de cantar. Gostaria muito de ter um aparelho privilegiado para poder cantar. Eu sei cantar, mas tem um limite que eu desafino. Mas gosto de tocar violão, de cantar e gostaria muito de ter uma voz que eu cantasse e arrebatasse todo mundo.
Matarte - E no rock and roll, quais são os seus artistas favoritos? Mais antigos?
Tadeu - É, Beatles, sem dúvida. Como todo o mundo, os Beatles estariam em primeiro lugar. Aqui no Brasil... inclusive acabei de ler a biografia do Renato Russo. Eu era muito fã de Legião Urbana. Gosto muito de Legião Urbana. Acompanhei muito. Tava naquele show histórico que deu aquela confusão no Mané Garrincha. Tava lá no meio, tinha 14 anos, era pequeninho. Sempre gostei muito. No rock brasileiro, destacaria o Legião Urbana.
Matarte - Sobre twitter. Muitos colegas seu já usam o twitter.
Tadeu - Eu tenho twitter também, mas eu sou péssimo, sou muito devagar. Entrei lá, postei duas, três vezes. Mas... Depois eu voltei pra campanha “Tadeu Schmidt: #PiorTwitterdoBrasil”. Eu não quero ficar toda hora falando com as pessoas, não quero expor a minha vida, os meus pensamentos... Não achei a “coisa” ainda. Seria legal eu seguir veículos de comunicação, mas isso eu já sigo de outras formas. Então, o meu twitter é péssimo. Ele tá lá porque eu abri uma vez, mas brevemente ele será extinto porque eu tô fazendo meu site. Aí tudo será encaminhado para o meu site, onde fãs que querem fazer contato... Vai ser tudo no meu site, onde orkut, twitter e todas as coisas vão convergir para o meu site.
Matarte - Por enquanto, qual é o seu twitter?
Tadeu - É @TADEUSCHMIDT!
Matarte - Tá tudo certo pra você cobrir a Copa?
Tadeu - Tudo certo! Vou pra lá no dia 2 de junho.
Matarte - Parabéns!
Tadeu - Valeu velho!
Matarte - Obrigadão!

Disponibilizei o áudio da entrevista para download neste link.
Vale a pena ouvir, principalmente pelo final, quando todos ao redor comemoram o fato de eu ter conseguido entrevistá-lo. Obrigado pessoal, de coração.
Caso tenha interesse em ouvir a entrevista da Izabela Martins para O Jornal, dá pra baixar aqui.
Os textos sobre a palestra e a entrevista com Tadeu Schmidt são dedicados ao professor de vida, Elson Santos Silva Carvalho, ou cordialmente conhecido como Kiko, que muito antes já havia me convencido de que eu posso.
Porém a palestra estava prevista para 16h30 em plena segunda-feira, horário do meu estágio. Então tive de me inspirar no tema da palestra, “Sim, você pode!”, e pela manhã faltei a minha aula favorita neste semestre, jornalismo online (perdoa aí Liana, vai?), e fui ao estágio para ficar com a tarde livre. Sacrifício é assim mesmo.
A minha missão na palestra era repetir o feito de 2008, quando entrevistei junto de alguns colegas de curso, o outro apresentador do Fantástico, Zeca Camargo, no hotel, longe de toda aquela movimentação daquilo que andaram chamando de “circo do livro”. Agora, eu tinha o instrumento facilitador chamado credencial, portanto foi só a palestra se aproximar do fim que eu já fui correndo para a área reservada onde eu poderia abordar o Tadeu Schmidt.
Como esperei no pé da escada para o palco, fui o primeiro a abordá-lo e já propus uma conversa mais tarde no hotel quando ele estivesse descansado, porque queria um bate-papo solto sobre alguns temas e com a participação dos parceiros de blog. Achei que estava garantido, mas fui surpreendido pela justificativa dele de não estar autorizado pela Cegecom (Globo) para esse tipo de conversa, no máximo umas três perguntas ali mesmo e pronto.
Meu planejamento foi pras cucuias. Mesmo assim, assisti toda a tietagem das repórteres dos veículos tidos como mais sérios, e esperei meu momento novamente para insistir na proposta apelando para a comoção por ser um estudante de comunicação, como ele também já foi um dia. Deu certo em partes: não rolou de deixar para mais tarde no hotel porque ele disse que não podia realmente, mas consegui deixar acertada uma rápida conversa para o momento em que ele seguisse para a sala vip.
Após observar a distribuição de uns 20 minutos de autógrafos e fotografias com sorrisos plastificados, ainda teve um momento bacana quando uma menina cega entrou dizendo que o Tadeu era muito bonito e foi retribuída com um abraço sincero. Pouco depois, a fila para autógrafos não cessava, e ele viu a conversa comigo como uma válvula de escape para aquela situação. Bom pra mim, bom pra ele.
A Izabela Martins (Bel) precisava de fazer algumas perguntas a ele para publicar uma matéria em O Jornal. Deixei ela na frente, mas gravei a entrevista dela também. Chegada a minha vez, a minha namorada, Paula, entrou em ação como fotógrafa enquanto eu fazia as perguntas de acordo com os meus interesses sem nenhuma sugestão de perguntas anotadas previamente. O resultado segue abaixo na transcrição da entrevista:
Matarte - Na verdade, o que eu tinha proposto para você era fazer uma conversa mesmo, no hotel, quando você já estivesse descansado, mas enfim... Quero saber sobre qual é a referência do humor na sua vida. Se é uma coisa que veio de casa ou se você buscou isso nos quadrinhos, em cartuns.
Tadeu - Eu lia gibi quando era moleque, lia X-Men, Homem Aranha...
Matarte - Tem algum favorito entre DC e Marvel?
Tadeu - Se eu tivesse que dizer um, diria X-Men! Eu lia Turma da Mônica também. Gostava e achava engraçado pra caramba. Sobre a questão do humor, lá em casa todo mundo sempre foi bobo. Eu achei que quando virasse adulto, iria ficar sério. Aí eu vi meu irmão, que é 16 anos mais velho que eu e é um bobão, crianção tanto quanto eu quando era pequeno, quanto continuo sendo. Nós somos muito bobos. A gente gosta de dar risadas. Quando a gente se junta pra conversar é falando bobagem do começo ao fim, dando risadas, fazendo piada, um zoando da cara do outro. Então, isso é característica nossa mesmo. A gente gosta muito de dar risadas, gosta de se divertir. Na verdade, o que eu faço na televisão não é piada, não é uma coisa de um comediante que tá tentando arrancar a risada de uma pessoa. É uma coisa de amigos que estão vendo uma coisa e um tá comentando com o outro. É mais ou menos isso. Comentando com bom humor. É coloquial e com bom humor.
Matarte - Recentemente o Glauco morreu... quero saber se você acompanhava algum destes cartunistas que tiveram importância na época da ditadura.
Tadeu - Ah, tinha o Casseta Popular, Planeta Diário, Pasquim.. O Brasil tem tantos nomes brilhantes nessa área. Lembro que quando eu era moleque, eu lia livros do Ziraldo. Maravilhoso! O traço do Ziraldo é tão espetacular! É uma coisa tão bacana. Eu acho muito legal você contar uma história ali, de repente, numa tirinha tão pequena, fazer começo, meio e fim naquele espaço. É tão interessante. É uma coisa que eu gostaria de fazer, mas eu não tenho o menor talento para desenhar. Mas o desafio de contar aquela história interessante num espaço tão pequenininho eu acho muito interessante.
Matarte - Eu também não sei desenhar, mas na semana passada, eu tive a idéia de uma tirinha com o roteiro direitinho. Aí eu fiz um rascunho, fiz as falas e passei para um amigo meu que sabe desenhar. Ele transformou numa tirinha e a gente postou no nosso blog.
Tadeu - Show de bola!
Matarte - Outra coisa que eu queria saber... Poxa, agora...
Tadeu - Esqueceu!
Matarte - É...
Tadeu - Acontece comigo sempre.
Matarte - Vamos falar sobre outra coisa... quero saber sobre música. O que você gosta de ouvir?
Tadeu - Eu gosto de tudo cara. Não tenho essa de “ah, gosto de tal música ou de tal música...” Eu ouço da música clássica ao pagode. Adoro, por exemplo, samba. Adoro! Se eu tivesse que escolher um estilo preferido, escolheria o rock and roll. Mas escuto de tudo. Adoro música. Toco violão. Gosto de cantar. Gostaria muito de ter um aparelho privilegiado para poder cantar. Eu sei cantar, mas tem um limite que eu desafino. Mas gosto de tocar violão, de cantar e gostaria muito de ter uma voz que eu cantasse e arrebatasse todo mundo.
Matarte - E no rock and roll, quais são os seus artistas favoritos? Mais antigos?
Tadeu - É, Beatles, sem dúvida. Como todo o mundo, os Beatles estariam em primeiro lugar. Aqui no Brasil... inclusive acabei de ler a biografia do Renato Russo. Eu era muito fã de Legião Urbana. Gosto muito de Legião Urbana. Acompanhei muito. Tava naquele show histórico que deu aquela confusão no Mané Garrincha. Tava lá no meio, tinha 14 anos, era pequeninho. Sempre gostei muito. No rock brasileiro, destacaria o Legião Urbana.
Matarte - Sobre twitter. Muitos colegas seu já usam o twitter.
Tadeu - Eu tenho twitter também, mas eu sou péssimo, sou muito devagar. Entrei lá, postei duas, três vezes. Mas... Depois eu voltei pra campanha “Tadeu Schmidt: #PiorTwitterdoBrasil”. Eu não quero ficar toda hora falando com as pessoas, não quero expor a minha vida, os meus pensamentos... Não achei a “coisa” ainda. Seria legal eu seguir veículos de comunicação, mas isso eu já sigo de outras formas. Então, o meu twitter é péssimo. Ele tá lá porque eu abri uma vez, mas brevemente ele será extinto porque eu tô fazendo meu site. Aí tudo será encaminhado para o meu site, onde fãs que querem fazer contato... Vai ser tudo no meu site, onde orkut, twitter e todas as coisas vão convergir para o meu site.
Matarte - Por enquanto, qual é o seu twitter?
Tadeu - É @TADEUSCHMIDT!
Matarte - Tá tudo certo pra você cobrir a Copa?
Tadeu - Tudo certo! Vou pra lá no dia 2 de junho.
Matarte - Parabéns!
Tadeu - Valeu velho!
Matarte - Obrigadão!
Disponibilizei o áudio da entrevista para download neste link.
Vale a pena ouvir, principalmente pelo final, quando todos ao redor comemoram o fato de eu ter conseguido entrevistá-lo. Obrigado pessoal, de coração.
Caso tenha interesse em ouvir a entrevista da Izabela Martins para O Jornal, dá pra baixar aqui.
Os textos sobre a palestra e a entrevista com Tadeu Schmidt são dedicados ao professor de vida, Elson Santos Silva Carvalho, ou cordialmente conhecido como Kiko, que muito antes já havia me convencido de que eu posso.
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Matarte no Salão #4: Tadeu Schmidt e a inspiração para os “sem futuro”
Palestras costumam ser frustrantes pelo excesso de expectativas criadas. Os palestrantes profissionais, acostumados a viajar pelo país em função desta atividade, insistem em apresentar fórmulas matemáticas que deveriam nos fazer chegar ao sucesso, independente de qual seja o nosso objetivo. Neste caso, parece que eles mesmos só usam essas fórmulas para vender palestras e livros, deixando que somente nós tentemos a sorte na prática.
Tem também aqueles que querem compartilhar uma experiência vivida pelo próprio, e que se torna desinteressante quando você já conhece a história divulgada através da mídia, ou decepciona quando você percebe que não se identifica tanto assim com a pessoa que você admirava.
No dia 22 de março, o 6° Salão do Livro do Tocantins recebeu o jornalista e apresentador Tadeu Schmidt, o cara do Fantástico que mudou a forma de contar a história de um jogo de futebol. Ele é unânime em sua simpatia na TV, e o contato direto com o público em suas palestras poderia arriscar a boa imagem que maioria tem dele e o colocar em um dos grupos citados. O nome de sua palestra é a frase mais disseminada pelo mundo no distante ano de 2009: “Sim, você pode”. Título que explicitava uma palestra motivacional. Porém, clichê não é uma palavra que combina com Tadeu Schmidt.
Ele não é desses palestrantes profissionais, portanto seu “amadorismo” favoreceu a espontaneidade e desfez frases de efeito. Sua verdade desnuda foi o fator principal para ser uma palestra que realmente motiva para o futuro, principalmente no caso de jovens que tem decretado o título de sem futuro por não se enquadrarem em determinados padrões estéticos.

A trajetória do potiguar Tadeu Schmidt começa com a adolescência em Brasília e a pressão interna por ser irmão do Oscar, o melhor jogador brasileiro de basquete de todos os tempos, e o maior cestinha da história do basquete mundial. Além desse irmão talentoso no esporte, o segundo irmão estudou muito para passar no concurso da Marinha para ser prático (manobrista de navio) e ganhar um dos melhores salários do país. Enquanto isso, Tadeu tentava a vida no vôlei, e chegou a fazer parte da seleção brasileira infanto-juvenil com 17 anos, ao lado de Nalbert.
Quando ele achava que seguiria carreira no esporte, veio o corte da seleção como a maior a decepção da vida dele e as incertezas quanto ao futuro. Ele teria de fazer faculdade, mas não tinha a menor aptidão por nenhum curso. Pensou em Publicidade, Jornalismo, Direito e até Economia. Envergonhado, ele admitiu ter escolhido o curso de jornalismo por ser aquele que mais tinha mulheres bonitas (naquela época, né?).
A faculdade lhe trouxe novos obstáculos. Tadeu Schmidt confessou que até então ele não tinha o costume de ler livros, jornal era só quando saía alguma matéria sobre o irmão mais velho. Ele sabia que estava anos-luz atrás de outros colegas, e só restava a ele correr atrás do prejuízo.
Este foi o momento decisivo da vida dele, quando teve de colocar em prática, aquilo que ele hoje analisando o passado percebe ter sido a trinca de qualidades que o fez alcançar a atual posição na carreira como apresentador do Fantástico: dedicação, criatividade e coragem.
Primeiro veio a dedicação para conseguir gostar de ler. O primeiro livro que ele tentou foi o Príncipe, não o pequeno, mas o maquiavélico. Leu, não entendeu, e o releu até entender o que era dito. Assim seguiu lendo livros clássicos, mas de leitura difícil, como Goethe, e adquiriu o costume de ler livros por toda a vida.
Em um segundo momento veio o desenvolvimento de uma linguagem própria na produção de suas matérias quando ainda trabalhava em um veículo de comunicação em Brasília. Durante a palestra, Tadeu citou a frase “Tudo o que tinha para ser inventado, já foi inventado”. Bate um desânimo profundo ao ler ou ouvir essa “máxima”, mas ele revela que o autor desta frase proferiu esta maldição em meados da década de 90, só que do século retrasado. O cara não sabia nem que inventariam um aparelho televisor. Ou seja, a gente sempre pensa que não dá pra se criar nada mais porque realmente é difícil, dói a cabeça e tudo mais, e é por isso que criatividade é uma qualidade tão estimada em qualquer situação.
A coragem se destaca nos momentos em que ele teve de tomar decisões na sua vida pessoal e profissional, além de sempre estar presente junto às outras qualidades. Um exemplo simples que ele apresentou foi a coragem para superar as saias-justas que ocorrem durante transmissões ao vivo fora de estúdio.
No entanto, o principal exemplo que ilustra bem todas as qualidades destacadas foi a reportagem que ele fez sobre o dia em a tocha olímpica passou pelo Brasil em 2004, pela primeira vez na história. Um dia inteiro com a tocha passando de mão em mão entre alguns dos principais atletas do país, artistas e outras personalidades. Ao fim do dia, Tadeu tinha de fazer uma reportagem para o “Bom Dia Brasil”, que passa às 7h30 da manhã. Eram 20 fitas com gravações do passeio da tocha. Que tempo ele teria para fazer essa matéria? A madrugada. E assim o fez. Uma belíssima matéria com pouco mais de 2 min de duração, digna de Tadeu Schmidt. Orgulho dele.
Oscar Schmidt sempre diz: “Mão Santa? Que nada, é mão treinada!”. A conversa de Tadeu Schmidt segue essa tendência de humanizar aquilo que faz, e convence de que é possível para qualquer um se destacar dentro dos segmentos que pertence, não é fácil, mas depende mais do esforço próprio do que qualquer outro fator.
Mesmo após a lição, foi possível ver jornalistas tocantinenses na sala de imprensa fazendo perguntas do tipo “qual é o segredo?”, como se ele fosse o Mister M e pudesse ensinar seus truques a eles. As atrações passadas do Salão do Livro, Cordel do Fogo Encantado e Teatro Mágico, responderiam melhor esta pergunta com a célebre frase: “Isso não se ensina, seu bosta!”.
Tem também aqueles que querem compartilhar uma experiência vivida pelo próprio, e que se torna desinteressante quando você já conhece a história divulgada através da mídia, ou decepciona quando você percebe que não se identifica tanto assim com a pessoa que você admirava.
No dia 22 de março, o 6° Salão do Livro do Tocantins recebeu o jornalista e apresentador Tadeu Schmidt, o cara do Fantástico que mudou a forma de contar a história de um jogo de futebol. Ele é unânime em sua simpatia na TV, e o contato direto com o público em suas palestras poderia arriscar a boa imagem que maioria tem dele e o colocar em um dos grupos citados. O nome de sua palestra é a frase mais disseminada pelo mundo no distante ano de 2009: “Sim, você pode”. Título que explicitava uma palestra motivacional. Porém, clichê não é uma palavra que combina com Tadeu Schmidt.
Ele não é desses palestrantes profissionais, portanto seu “amadorismo” favoreceu a espontaneidade e desfez frases de efeito. Sua verdade desnuda foi o fator principal para ser uma palestra que realmente motiva para o futuro, principalmente no caso de jovens que tem decretado o título de sem futuro por não se enquadrarem em determinados padrões estéticos.
A trajetória do potiguar Tadeu Schmidt começa com a adolescência em Brasília e a pressão interna por ser irmão do Oscar, o melhor jogador brasileiro de basquete de todos os tempos, e o maior cestinha da história do basquete mundial. Além desse irmão talentoso no esporte, o segundo irmão estudou muito para passar no concurso da Marinha para ser prático (manobrista de navio) e ganhar um dos melhores salários do país. Enquanto isso, Tadeu tentava a vida no vôlei, e chegou a fazer parte da seleção brasileira infanto-juvenil com 17 anos, ao lado de Nalbert.
Quando ele achava que seguiria carreira no esporte, veio o corte da seleção como a maior a decepção da vida dele e as incertezas quanto ao futuro. Ele teria de fazer faculdade, mas não tinha a menor aptidão por nenhum curso. Pensou em Publicidade, Jornalismo, Direito e até Economia. Envergonhado, ele admitiu ter escolhido o curso de jornalismo por ser aquele que mais tinha mulheres bonitas (naquela época, né?).
A faculdade lhe trouxe novos obstáculos. Tadeu Schmidt confessou que até então ele não tinha o costume de ler livros, jornal era só quando saía alguma matéria sobre o irmão mais velho. Ele sabia que estava anos-luz atrás de outros colegas, e só restava a ele correr atrás do prejuízo.
Este foi o momento decisivo da vida dele, quando teve de colocar em prática, aquilo que ele hoje analisando o passado percebe ter sido a trinca de qualidades que o fez alcançar a atual posição na carreira como apresentador do Fantástico: dedicação, criatividade e coragem.
Primeiro veio a dedicação para conseguir gostar de ler. O primeiro livro que ele tentou foi o Príncipe, não o pequeno, mas o maquiavélico. Leu, não entendeu, e o releu até entender o que era dito. Assim seguiu lendo livros clássicos, mas de leitura difícil, como Goethe, e adquiriu o costume de ler livros por toda a vida.
Em um segundo momento veio o desenvolvimento de uma linguagem própria na produção de suas matérias quando ainda trabalhava em um veículo de comunicação em Brasília. Durante a palestra, Tadeu citou a frase “Tudo o que tinha para ser inventado, já foi inventado”. Bate um desânimo profundo ao ler ou ouvir essa “máxima”, mas ele revela que o autor desta frase proferiu esta maldição em meados da década de 90, só que do século retrasado. O cara não sabia nem que inventariam um aparelho televisor. Ou seja, a gente sempre pensa que não dá pra se criar nada mais porque realmente é difícil, dói a cabeça e tudo mais, e é por isso que criatividade é uma qualidade tão estimada em qualquer situação.
A coragem se destaca nos momentos em que ele teve de tomar decisões na sua vida pessoal e profissional, além de sempre estar presente junto às outras qualidades. Um exemplo simples que ele apresentou foi a coragem para superar as saias-justas que ocorrem durante transmissões ao vivo fora de estúdio.
No entanto, o principal exemplo que ilustra bem todas as qualidades destacadas foi a reportagem que ele fez sobre o dia em a tocha olímpica passou pelo Brasil em 2004, pela primeira vez na história. Um dia inteiro com a tocha passando de mão em mão entre alguns dos principais atletas do país, artistas e outras personalidades. Ao fim do dia, Tadeu tinha de fazer uma reportagem para o “Bom Dia Brasil”, que passa às 7h30 da manhã. Eram 20 fitas com gravações do passeio da tocha. Que tempo ele teria para fazer essa matéria? A madrugada. E assim o fez. Uma belíssima matéria com pouco mais de 2 min de duração, digna de Tadeu Schmidt. Orgulho dele.
Oscar Schmidt sempre diz: “Mão Santa? Que nada, é mão treinada!”. A conversa de Tadeu Schmidt segue essa tendência de humanizar aquilo que faz, e convence de que é possível para qualquer um se destacar dentro dos segmentos que pertence, não é fácil, mas depende mais do esforço próprio do que qualquer outro fator.
Mesmo após a lição, foi possível ver jornalistas tocantinenses na sala de imprensa fazendo perguntas do tipo “qual é o segredo?”, como se ele fosse o Mister M e pudesse ensinar seus truques a eles. As atrações passadas do Salão do Livro, Cordel do Fogo Encantado e Teatro Mágico, responderiam melhor esta pergunta com a célebre frase: “Isso não se ensina, seu bosta!”.
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23 de março de 2010
Matarte no Salão #3: Honra, Desespero e Salvação
No sábado à noite, nosso webmaster Pablo, queria realizar o sonho nerd de conhecer pessoalmente o Engenheiro Marcos Pontes, primeiro brasileiro a ir para o espaço literalmente.
Porém, ele se frustrou ao ver o auditório dominado pelo público sub-14, e tamanha empolgação também foi para o espaço. Ainda sim, se você não conhece o nosso Pablo, saiba que ele é um homem que honra compromissos (além de credenciais de imprensa e dinheiro do contribuinte), qualidade em extinção na sociedade moderna. Em hipótese alguma ele deixaria você, querido leitor, sem ao menos uma foto para provar que o Matarte esteve lá.
Mas esse não era o dia de Pablo. Sua câmera fotográfica, fruto de um sorteio realizado em alguma confraternização de repartições públicas, o deixou na mão quando menos devia. E ele saiu por aí cabisbaixo e sem rumo madrugada adentro, e com apenas R$ 3 no bolso.
Qualquer outro ser humano procuraria um bar para tomar o que desse com essa miséria. Todavia, como disse antes, Pablo honra compromissos. Ele entrou na única lan-house aberta àquela hora, e foi cumprir com sua função de vetorizador oficial de artes para as Camisetas Serreal. Foi inspirado em Pablo que criaram a máxima de que o trabalho enobrece o homem.
Quando ele havia vetorizado 423 ilustrações no Corel em pouco mais de 20 minutos, o sentimento de culpa por não ter conseguido a foto com o nosso herói astronauta veio à tona. Seus batimentos cardíacos aceleraram (como o Tocantins), e o coração ameaçava sair pela boca a qualquer momento. Ele não pensou muito e entrou no orkut para olhar as fotos minhas e do Ciro para imaginar como ficaria a nossa cara de decepção quando ele nos contasse que não conseguiu. Até que para a surpresa dele, e a alegria de todos, descobriu que não precisava ter sofrido tanto, já que melhor que ter uma foto do primeiro astronauta brasileiro aqui no Matarte, é ter uma foto do primeiro astronauta tocantinense, e que faz parte da nossa equipe.
Porém, ele se frustrou ao ver o auditório dominado pelo público sub-14, e tamanha empolgação também foi para o espaço. Ainda sim, se você não conhece o nosso Pablo, saiba que ele é um homem que honra compromissos (além de credenciais de imprensa e dinheiro do contribuinte), qualidade em extinção na sociedade moderna. Em hipótese alguma ele deixaria você, querido leitor, sem ao menos uma foto para provar que o Matarte esteve lá.
Mas esse não era o dia de Pablo. Sua câmera fotográfica, fruto de um sorteio realizado em alguma confraternização de repartições públicas, o deixou na mão quando menos devia. E ele saiu por aí cabisbaixo e sem rumo madrugada adentro, e com apenas R$ 3 no bolso.
Qualquer outro ser humano procuraria um bar para tomar o que desse com essa miséria. Todavia, como disse antes, Pablo honra compromissos. Ele entrou na única lan-house aberta àquela hora, e foi cumprir com sua função de vetorizador oficial de artes para as Camisetas Serreal. Foi inspirado em Pablo que criaram a máxima de que o trabalho enobrece o homem.
Quando ele havia vetorizado 423 ilustrações no Corel em pouco mais de 20 minutos, o sentimento de culpa por não ter conseguido a foto com o nosso herói astronauta veio à tona. Seus batimentos cardíacos aceleraram (como o Tocantins), e o coração ameaçava sair pela boca a qualquer momento. Ele não pensou muito e entrou no orkut para olhar as fotos minhas e do Ciro para imaginar como ficaria a nossa cara de decepção quando ele nos contasse que não conseguiu. Até que para a surpresa dele, e a alegria de todos, descobriu que não precisava ter sofrido tanto, já que melhor que ter uma foto do primeiro astronauta brasileiro aqui no Matarte, é ter uma foto do primeiro astronauta tocantinense, e que faz parte da nossa equipe.
Este é Ciro, o nosso herói!
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Matarte no Salão #2: Oco do Mundo e outros lançamentos literários
Após o encontro da nossa equipe na primeira noite do 6° Salão do Livro do Tocantins, me propus a cobrir o lançamento do livro “Histórias da História de Gurupi” só pela simpatia que eu tenho pela cidade após duas visitas recentes para cobrir festivais de rock.
Os lançamentos dos livros acontecem no Café Literário de forma coletiva. Graças a isso, tive a oportunidade de presenciar uma mesa composta por alguns dos principais escritores tocantinenses como o homenageado do Salão, o ex-prefeito Odir Rocha, o presidente da ATL – Academia Tocantinense de Letras, Eduardo Almeida, os professores universitários Osmar Casagrande e João Portelinha, além é claro, dos autores que estavam lançando livros: Belinha, Juarez Moreira Filho e Zacarias Martins. Gente madura que representa a produção intelectual do nosso Estado, mas que infelizmente ainda não fazem parte da realidade de jovens interessados em cultura, como eu, por exemplo.

Perdi um pouco da apresentação da poeta Belinha, mas fiquei impressionado com um poema dela interpretado pelo Casagrande, que falava sobre como ela gostaria que a lembrassem após sua morte.
O meu motivo de estar ali era ouvir direto do autor algumas das histórias curiosas da cidade de Gurupi. No entanto, vacinado contra gente desinteressada, Zacarias Martins poupou muitas palavras em uma apresentação que mal chegou a dez minutos. Ainda sim, coletei algumas informações para passar adiante. O livro é uma coletânea de crônicas sobre fatos pitorescos da história de Gurupi desde 1986, como o caso exemplificado por Zacarias, quando um mal entendido em uma ligação telefônica provocou o falso alerta de que houvesse uma bomba explosiva na Caixa Econômica Federal de lá. Zacarias Martins pertence à Academia Gurupiense de Letras, publica crônicas em jornais da cidade, e também em seu blog. Sua amiga Marilda, também escritora de Gurupi, o define como “um homem que o que tem de pequeno, tem de inteligente para contar boas histórias”.
Decidi ficar até o final das apresentações, e pude presenciar o lançamento duplo do escritor Juarez Moreira Filho, que sabiamente, convidou Odir Rocha e Portelinha para falar de cada um de seus livros. O mais curioso foi a definição que Portelinha atribuiu a um dos livros como “descritivo pictorialista”. Quase um palavrão como ele mesmo disse, mas o nome do livro em questão era bem mais simples (e genial): “Oco do Mundo”.
Os livros estão disponíveis para compra no estande da ATL – Associação Tocantinense de Letras. “Histórias da História de Gurupi” continuará a venda na GEP Livraria mesmo após o Salão do Livro no valor de R$ 15.
Os lançamentos dos livros acontecem no Café Literário de forma coletiva. Graças a isso, tive a oportunidade de presenciar uma mesa composta por alguns dos principais escritores tocantinenses como o homenageado do Salão, o ex-prefeito Odir Rocha, o presidente da ATL – Academia Tocantinense de Letras, Eduardo Almeida, os professores universitários Osmar Casagrande e João Portelinha, além é claro, dos autores que estavam lançando livros: Belinha, Juarez Moreira Filho e Zacarias Martins. Gente madura que representa a produção intelectual do nosso Estado, mas que infelizmente ainda não fazem parte da realidade de jovens interessados em cultura, como eu, por exemplo.
Perdi um pouco da apresentação da poeta Belinha, mas fiquei impressionado com um poema dela interpretado pelo Casagrande, que falava sobre como ela gostaria que a lembrassem após sua morte.
Decidi ficar até o final das apresentações, e pude presenciar o lançamento duplo do escritor Juarez Moreira Filho, que sabiamente, convidou Odir Rocha e Portelinha para falar de cada um de seus livros. O mais curioso foi a definição que Portelinha atribuiu a um dos livros como “descritivo pictorialista”. Quase um palavrão como ele mesmo disse, mas o nome do livro em questão era bem mais simples (e genial): “Oco do Mundo”.
Os livros estão disponíveis para compra no estande da ATL – Associação Tocantinense de Letras. “Histórias da História de Gurupi” continuará a venda na GEP Livraria mesmo após o Salão do Livro no valor de R$ 15.
Fotos: Blog do Zacarias
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Matarte no Salão #1: O Tocantins Acelera em ritmo de Déjà vu!
Como informamos pelo twitter, a equipe Matarte conseguiu uma credencial de imprensa para fazer a cobertura dos eventos do 6° Salão do Livro do Tocantins. Analisamos a programação e definimos quem cobriria o que de acordo com o interesse de cada um. Infelizmente não teremos ninguém para cobrir Rosa de Saron na sexta-feira, e nem o grupo regional de pagode gospel que tocará no domingo. Ficamos devendo essa, queridos leitores.
Na primeira noite do Salão do Livro, foi a única vez em que fomos juntos apenas para visitas. Ao circular pelo salão, dá uma estranha sensação de Déjà vu em relação às duas edições anteriores, o que torna a comparação inevitável.
A principal vantagem deste ano é o fim da concorrência desumana por convite. Ninguém mais precisa almoçar na fila para pegar convite de um show/palestra que ocorrerá de noite, e muito menos ser parente ou chegado de um funcionário da Seduc. De qualquer forma, ainda considero importante a hipótese de colocarem um telão que transmita os eventos do Auditório Central pelo lado de fora também.
Entre as desvantagens deste ano estão a pouca diversidade nas atrações e a seleção de artistas regionais sem muitos critérios. Dominguinhos, Almir Sater e Fagner são nomes de relevância inquestionável, porém, os três possuem públicos semelhantes. Rosa de Saron é um grupo que não trará nenhuma contribuição cultural, mas já são garantia de espaço lotado, o que na cabeça de alguns é sinônimo de sucesso. Entre os artistas regionais, prevaleceram os nomes apadrinhados pela Fundação Cultural do Estado.
Sobre os estandes, não houve mudança significativa das últimas edições pra cá. A maioria é composta por livros infantis, pedagógicos e religiosos. Salvo raras exceções que vendem alguns best-sellers. O Governo do Estado continua sustentando os estandes ao manter a liberação de créditos para funcionários públicos. Assim saem todos felizes, e a leitura acelera a educação no Tocantins.
Na primeira noite do Salão do Livro, foi a única vez em que fomos juntos apenas para visitas. Ao circular pelo salão, dá uma estranha sensação de Déjà vu em relação às duas edições anteriores, o que torna a comparação inevitável.
A principal vantagem deste ano é o fim da concorrência desumana por convite. Ninguém mais precisa almoçar na fila para pegar convite de um show/palestra que ocorrerá de noite, e muito menos ser parente ou chegado de um funcionário da Seduc. De qualquer forma, ainda considero importante a hipótese de colocarem um telão que transmita os eventos do Auditório Central pelo lado de fora também.
Entre as desvantagens deste ano estão a pouca diversidade nas atrações e a seleção de artistas regionais sem muitos critérios. Dominguinhos, Almir Sater e Fagner são nomes de relevância inquestionável, porém, os três possuem públicos semelhantes. Rosa de Saron é um grupo que não trará nenhuma contribuição cultural, mas já são garantia de espaço lotado, o que na cabeça de alguns é sinônimo de sucesso. Entre os artistas regionais, prevaleceram os nomes apadrinhados pela Fundação Cultural do Estado.
Sobre os estandes, não houve mudança significativa das últimas edições pra cá. A maioria é composta por livros infantis, pedagógicos e religiosos. Salvo raras exceções que vendem alguns best-sellers. O Governo do Estado continua sustentando os estandes ao manter a liberação de créditos para funcionários públicos. Assim saem todos felizes, e a leitura acelera a educação no Tocantins.
Fotos: seduc.to.gov.br
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