Bem, nessa semana a equipe Matarte está fazendo a cobertura (ui!) do Salão do Livro. Fiquei responsável por registrar o que aconteceu na abertura do evento, o recital da atriz Julia Lemmertz, a palestra da filósofa Viviane Mozé (não era só eu que conhecia ela), minha raiva e ressentimento por não ter conseguido emplacar meus desenhos para figurarem na fachada e no interior do Salão, etc. Todavia - sempre há esse maldito todavia -, algo conspirava contra mim. Nuvens negras do passado (delirantes ou do mal)? Cometemos o pecado? Praga pároca? Não sei.

Lamúrias e considerações feitas, agora vos apresento a história que inspirou “Esqueceram de mim VII: a vingança dos derrotados”...
Lá estava eu, garoto ludovicense, a uma semana sem pai e sem mãe (viajaram de férias) – passaram em Palmas apenas para pegar o carro e seguir viagem, no dia seguinte, para outro lugar (mais uma semana só). Até aí tudo jóia. Sem carro, mas tudo jóia. Ainda tinha meus cachorros: Madá & Obama.
Minha história começa no sábado (20) e o convite para um apetitoso churrasco me ludibriava quanto ao que os próximos dias me reservavam. Comecei o dia bem, dormi até mais tarde, naveguei um pouco e na parte da tarde fui para uma peladinha tradicional do fim de semana. No primeiro lance corto meu dedo (era um sinal e não dei atenção). Fui lavar depois de algumas horas de jogo, mas logo recebi o aviso de um jovem experiente:
“Já infeccionou”
Fim de jogo. Coca-cola bebida. Banho tomado. Vou ao churrasco. Delicio-me com as carnes e a fiel mandioquinha cozida. Prejuízo de outrem contabilizado, vou ao show do Zé & Z.
Não preciso dizer como foi.
Bauducco me concede uma pousada em sua humilde residência, almoço com meu sócio e regresso ao doce e animado lar. Chego em casa para, com colegas e futuros operadores do Direito, resolver algumas atividades acadêmicas pendentes. O que eu não sabia era que meu modem tinha ido pras cucuias em decorrência da tormenta da noite anterior. Pego o telefone, não sei para que, e descubro que o mesmo encontra-se mudo e irredutível.

Pai, mãe, cadê vocês?
Dessas situações já sairiam um episódio de uma sitcom qualquer ou a parte inicial de um filme da sessão da tarde. Mas ao contrário da palestra do Tadeu Schmidt “Sim, você pode”, sim, poderia piorar.
Depois dessa manhã e tarde de domingo cercado de praguejamentos, a noite vem e descubro que as pessoas podem ser seres humanos. Cá estou eu, lindo, belo, cobiçado por 8 em cada 10 mulheres bonitas em período fértil, andando em direção a igreja.
O caminho de 2 ou 3 km que eu pretendia percorrer a pé parecia curto para quem buscava remissão de pecados e uma zica a menos. Mas eis que surge uma luz no meio do caminho: um filisteu me oferece carona. À princípio não o reconheci.
Também, o cara andava de moto e capacete amarelos. Era quase uma versão Dafra da nipopower ranger amarela, Trini. Mário, amigo dos idos de ensino médio, me levou até o templo sagrado. Valeu, Magário! lol
Reza vai, reza vem. Se finda o culto e volto para casa de bicicleta (havia abandonado dias atrás). Pedalava com a impressão de que dias melhores viriam e uma urucubaca daquelas seria deixada para trás, tal qual o Rubens Barrichello ou seu sucessor, Felipe Massa.
Felipe Massa é o segundo Rubinho!
No caminho para casa pedia para Deus uma semana melhor e tinha fé que seria atendido. No entanto, o numinoso, do alto de seu monte, acenava: “Não hoje, pobre diabo”.
Na manhã seguinte bronca na aula, na terça, chuva incessante e na quarta perco o celular. E nesse momento, quando olho para o relógio pendurado na parede da cozinha, lembro que ele também não funcionava mais. Meritíssimo, sem mais colocações.
Esse relato poderia se chamar “Vivendo e não aprendendo”, “Esqueceram de mim” “Se fudendo e não aprendendo” ou até “Quem sabe na próxima”.
Mas a semana ainda não acabou.